Doença diverticular dos cólons: o que é e quando se preocupar?

A doença diverticular dos cólons (DDC) é uma condição extremamente comum, especialmente com o passar dos anos. Estima-se que até 65% das pessoas acima dos 80 anos apresentem divertículos — pequenas bolsas que se formam nas paredes do intestino grosso. Embora, na maioria dos casos, essas formações sejam assintomáticas, em algumas situações elas podem causar inflamação, dor e complicações que merecem atenção médica.


O que é a doença diverticular?

Os divertículos são pequenas bolsas que surgem em áreas de fragilidade da parede do intestino grosso, principalmente no cólon sigmoide, região mais sujeita a pressão durante o trânsito intestinal. Quando esses divertículos estão presentes sem inflamação, a condição é chamada de diverticulose. Já quando ocorre inflamação, falamos em diverticulite, que é a forma mais sintomática e preocupante da doença.


Por que ela é tão comum?

O principal fator que explica o aumento da doença diverticular com a idade é a redução da força e da elasticidade da parede intestinal. Além disso, fatores relacionados ao estilo de vida moderno têm grande influência.

Dietas pobres em fibras, ricas em gorduras e carnes vermelhas, o sedentarismo e o excesso de peso contribuem para o aumento da pressão dentro do intestino, favorecendo o aparecimento dos divertículos.

Por outro lado, o consumo adequado de fibras (frutas, verduras e cereais integrais), a hidratação adequada e a prática regular de atividade física ajudam a prevenir tanto a formação quanto as crises da doença.


Quando se preocupar?

Em grande parte das pessoas, a doença diverticular não causa sintomas e é descoberta por acaso durante exames como a colonoscopia. No entanto, quando há inflamação, podem surgir sinais de alerta como:

  • Dor abdominal, especialmente no lado esquerdo inferior;

  • Febre;

  • Alterações no hábito intestinal (prisão de ventre ou diarreia);

  • Náuseas ou vômitos;

  • Sangramento nas fezes.

Em situações mais graves, podem ocorrer abscessos, perfuração intestinal ou infecção generalizada (peritonite) — condições que exigem tratamento hospitalar e, às vezes, cirurgia.


Como prevenir complicações da doença diverticular?

A boa notícia é que a maioria dos casos pode ser controlada com mudanças simples no estilo de vida. Entre as medidas mais importantes estão:

  • Aumentar o consumo de fibras, preferindo alimentos naturais;

  • Evitar o sedentarismo e manter um peso saudável;

  • Reduzir o consumo de carnes vermelhas e alimentos ultraprocessados;

  • Beber água regularmente, facilitando o trânsito intestinal;

  • Evitar o uso abusivo de anti-inflamatórios, que podem agravar o quadro.

O tratamento medicamentoso e, em casos selecionados, cirúrgico, é indicado apenas quando há inflamação ou complicações.


Um olhar especial para os idosos

A doença diverticular é muito mais frequente em pessoas idosas. Aos 40 anos, apenas 5% da população tem divertículos, mas essa taxa sobe para 30% aos 60 anos e 65% aos 80 anos (WGO, 2007). Por isso, é essencial valorizar sintomas digestivos nessa faixa etária e manter acompanhamento médico regular.


Conclusão: cuide do seu intestino hoje para evitar complicações amanhã

A doença diverticular é comum, mas não deve ser ignorada. Dor abdominal persistente, febre, alteração do ritmo intestinal ou sangramento são sinais de alerta que merecem atenção.