H. pylori: tudo que você precisa saber sobre essa infecção

Você já ouviu falar no H. pylori? Essa bactéria, de nome complicado — Helicobacter pylori —, está presente no estômago de mais da metade da população mundial. Muitas vezes silenciosa, ela pode permanecer no organismo por anos sem causar sintomas. No entanto, quando não é identificada e tratada corretamente, pode levar a doenças importantes do trato gastrointestinal.

Por isso, entender o que é o H. pylori, como é transmitido, quais os riscos envolvidos e quando investigar é essencial para manter sua saúde digestiva em dia.


Como se pega H. pylori?

A transmissão do H. pylori ainda não é totalmente compreendida, mas acredita-se que ocorra principalmente por meio oral-oral ou fecal-oral. Ou seja, o contato com saliva ou com alimentos e água contaminados pode facilitar a infecção.

A prevalência da bactéria é maior em países em desenvolvimento (incluindo o Brasil), principalmente onde o saneamento básico é precário e os cuidados com higiene são limitados. Mesmo assim, pessoas de todas as idades e classes sociais podem ser infectadas.


Quais doenças estão associadas ao H. pylori?

A infecção por H. pylori causa gastrite crônica em 100% dos portadores, embora muitas pessoas convivam com a bactéria sejam assintomáticas.

Quando presentes, sintomas frequentes são dor ou queimação no estômago, empachamento (sensação de estômago “cheio”), náuseas, arrotos e, em casos mais graves, até sangramentos digestivos. Ela pode ainda estar diretamente relacionada a diversas doenças do estômago e do duodeno, como:

  • Gastrite crônica
  • Úlcera gástrica e duodenal
  • Linfoma MALT (um tipo raro de câncer do estômago)
  • Câncer gástrico

Segundo o IV Consenso Brasileiro sobre H. pylori, publicado em 2018, a infecção deve ser tratada sempre que for diagnosticada, independentemente da presença de sintomas. Isso pode prevenir complicações graves no futuro.


Como saber se tenho H. pylori?

O diagnóstico pode ser feito por diferentes métodos, alguns mais simples, outros mais específicos. Entre os principais, estão:

  • Endoscopia digestiva com biópsia: mais frequentemente usada em nosso meio, é indicada principalmente quando há sintomas ou suspeita de lesões no estômago.
  • Teste respiratório com ureia marcada: rápido, seguro e não invasivo.
  • Exame de fezes: detecta a presença da bactéria no material fecal.
  • Exames sorológicos (sangue): úteis em alguns casos, mas não distinguem infecção ativa de exposição passada.

O médico gastroenterologista irá escolher o melhor exame conforme os seus sintomas e o histórico clínico.


Como é o tratamento para H. pylori?

O tratamento envolve o uso de antibióticos combinados com medicamentos que reduzem a acidez do estômago, como os inibidores da bomba de prótons. Essa combinação ajuda a eliminar a bactéria e a cicatrizar possíveis lesões causadas por ela. A escolha do esquema depende de fatores como resistência local aos antibióticos, histórico de tratamentos anteriores, alergias medicamentosas.

A duração recomendado é de 14 dias. Além disso, é essencial seguir corretamente as orientações médicas, pois o uso inadequado dos antibióticos pode dificultar a erradicação da bactéria.


Conclusão: cuide da sua saúde digestiva!

O H. pylori é uma bactéria muito comum, que não deve ser ignorada. Apesar de muitas vezes silenciosa, ela pode evoluir para problemas sérios, como úlceras e até câncer gástrico.

Portanto, se você sente desconforto frequente no estômago, queimação, dor, ou tem histórico familiar de doenças gástricas, não hesite em procurar um médico gastroenterologista. Um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença.


Seu estômago merece atenção. Cuide dele com informação, prevenção e acompanhamento especializado.